Nº2 | O MUNDO OBSERVA O MUNDO
Impressões realizadas a partir dos trabalhos originais da série exibida na exposição "o mundo observa o mundo".
Artista: Hannes Diehl
Técnica: originais em marcador acrílico sobre papel especial.
Impressão: offset sobre papel markatto 180g/m²
Por meio destes desenhos, inspirados na vegetação do Parque do Cocó, Hannes Diehl nos convida a observar a passagem do tempo acompanhando a luz que incide na vegetação e vai desenhando com a sombra novas paisagens.
“O mundo observa o mundo” é o título de um texto do livro Palomar - nome de um famoso observatório astronômico que durante muito tempo ostentou o maior telescópio do mundo. Por intencional ironia, é também o nome do protagonista dos textos curtos deste livro do autor italiano Italo Calvino, em que o senhor Palomar é todo olhos, mas funciona quase sempre como um telescópio ao contrário, voltado não para a amplidão do espaço, mas para as coisas próximas do cotidiano.
É como se ele nos dissesse que as grandes questões do mundo e da existência também estão presentes em cada objeto que observamos, em cada cena que presenciamos, e que tudo é digno de ser interrogado e pensado...
Ao utilizar a técnica de alto contraste em P&B, Hannes nos convida a explorar os pequenos detalhes na paisagem e ao mesmo tempo nos confunde quando vemos o emaranhado das espécies de plantas formando um corpo só, quase no limite de uma abstração, nos remetendo a outras composições caóticas de linhas e formas emaranhadas, como as linhas de alta tensão espalhadas pelas paisagem urbana ou as rugas que desenham nossos corpos.
A vegetação do Parque do Cocó, apresentada num enquadramento fotográfico, no registro de um instante que não vai se repetir pela própria qualidade efêmera e orgânica do mundo natural, também nos convoca a refletir sobre o conceito de impermanência, tão caro aos Budistas, e tão belo quando nos convida a redesenhar perspectivas sobre o mundo.
Assim fazem Hannes e o senhor Palomar, instaurando uma espécie de leveza para as questões mais profundas sobre a vida e a morte, ao mesmo tempo em que sugerem novas cargas de complexidade ao que parece simples, cotidiano ou banal.
